Idade – 3 a 4 anos

Característica principal

Compreensão da fala
– Apesar de ainda apresentar alguns processos fonológicos (troca os sons) em sua fala, a criança é compreendida com clareza por estranhos. Entende-se 50% de tudo o que a criança fala, nesta fase.

Marcos do Desenvolvimento

Vocabulário
– A criança apresenta cerca de 400 a 600 palavras;
– Possui vocabulário com um aumento significativo de nomes, verbos e adjetivos. Nessa idade a criança adquire algumas preposições (em, sobre, com) e começa a fazer uso de pronome pessoal “eu”.
– Usa plural (“cães”, “carros”, “chapéus”);

Aquisição dos fonemas/sons (Lamprecht, 2004)
– O fonema /R/ é adquirido, por volta dos 3 anos e 4 meses (/Rato/, /Rua/).

– Nessa idade as seguintes simplificações dos sons começam a ser superadas:

  • Posteriorização para velar: um fonema produzido com os lábios ou ponta da língua se transforma em um produzido com o dorso da língua. Ex torta – “corca”, dado – “gago”
  • Simplificação de líquidas: esse processo inclui a substituição, a semivocalização e a omissão das liquidas. Ex. lápis – “iapis”.

Construção de frases
– As frases são compostas por 5 a 6 elementos e já formam frases interrogativas (perguntas) utilizando pronomes “de quem” e “qual”; essa é a fase dos “porquês”;
– Faz uso de tempos verbais no presente, passado e futuro, mas ainda há desvios de flexionamento verbal por generalizações de regras. Exemplos:

  • “Eu pego pra você” – presente
  • “Papai vai comprá pra mim” – futuro
  • “Eu nadei na piscina” – passado
  • “Eu que comei o doce” (eu que comi o doce);

– Utiliza os artigos determinados, respeitando as regras de flexionamento de gênero (as de número podem não ser utilizadas por influência cultural). Exemplos:

  • “Dá a bola e o palhaço”
  • “Não pega as minha meia!” (não pega as minhas meias).

Contar histórias
– Relata experiências imediatas, ou seja, aquelas que estão ocorrendo no momento em que a questão é feita. Na narrativa de histórias, há dificuldades em manter a coerência e coesão, omite elementos secundários, insere fatos não verdadeiros. Fase da narrativa primitiva.

Exemplo: “Era uma vez uma bruxa. Ela dava uma maçã pra branca de neve. Aí ela chama o caçador, mas a branca de neve foge”. Foge pra onde? “pra casa dos anões. Eles gostam da branca de neve”. E aí? “aí, aí aparece um lobo. O caçador mata o lobo. O príncipe mata o lobo. Eles casa no castelo”.

Brincadeiras
– Joga espontaneamente com duas ou três pessoas, atribui funções sociais em jogo fingir, como por exemplo – “Você será mamãe”,”eu serei papai”.
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Habilidades conversacionais
– Apresenta mais turnos simples do que expansivos. Se não é entendida, não se auto-corrigem, repete exatamente o que disseram;
– Começa a adaptar a linguagem às necessidades do interlocutor. Por exemplo, fala de forma diferente quando se dirige a bebês, ou crianças muito mais novas que ela, e usa formas indiretas ao fazer pedidos.

Funções comunicativas
– Pede, protesta, nomeia, faz perguntas sobre referentes ausentes, usa expressões sociais para interagir. A função predominante é a informativa.

Compreensão
– Compreende os conceitos de igual e diferente;
– Responde se ela é um menino ou menina;
– Entende o conceito de contagem e pode conhecer alguns números.