Idade – 2 a 3 anos

Características principais

Construção de frases
– Inicialmente surgem as frases simples com grande significado como, por exemplo, “chão” para expressar que “caiu no chão”;
– Com a aquisição de um vocabulário mais rico começam a aparecer as frases afirmativas e negativas compostas por 3 e 4 elementos, mas com omissões de palavras (preposições, os artigos e os pronomes) com alterações de concordância, desvios de flexionamento nominal e inversão dos elementos, como por exemplo:

  • “Qué casa vovó não”;
  • “Sapato é minha pai”;
  • “Esse meu bola”.

Vocabulário
– Ocorre uma explosão do vocabulário, a criança apresenta cerca de 200 a 400 palavras que incluem nomes, brinquedos, alimentos, roupas, animais e alguns verbos;

Marcos do desenvolvimento

Aquisição do fonemas/sons (Lamprecht, 2004)
– Os fonemas /s/, /z/, /ch/, /j/ são de aquisição mais tardia na classe dos fricativos. Com 2 anos o fonema /z/ já aparece na fala; com 2 anos e 6 meses os /s/ e /j/; e com 2 anos e 10 meses o /ch/.

– Os fonemas líquidos são marcados pela aquisição mais tardia devido a sua complexidade articulatória e fonológica. Dentro desse grupo o /l/ é a primeiro a ser dominado pelas crianças a partir dos 2 anos e 8 meses.

Apesar da explosão do vocabulário adquirido pela criança, ela ainda não domina todos os fonemas (sons) da fala, portanto é esperada algumas trocas em sua fala que são normais e chamadas de simplificações fonológicas (ou processos fonológicos ou estratégias de reparo).
Essas simplificações fonológicas são trocas de sons mais difíceis (que na verdade são adquiridos mais tardiamente) pelos mais fáceis. No entanto, esses “erros” na fala da criança vão desaparecendo gradativamente.

– Segundo Wertzner ( ), com 2 anos e 6 meses algumas simplificações fonológicas começam a ser superadas:

  • Redução de sílaba: quando há perda de uma das sílabas do vocábulo. Ex. xícara – “xica”.
  • Harmonia consonantal: um fonema sofre a interferência de um vizinho que antecede ou o segue. Ex. pipoca – “pipopa”.
  • Plosivação de fricativa: o modo de articulação do fricativo é transformado no plosivo. Ex. faca – “paca”, sopa – “topa”.

Brincadeiras simbólicas (lúdicas)
– Brincar com boneca ou super heróis como se fossem situações reais.

Trocando a roupa da boneca

Contar histórias com auxílio do adulto
– Narra (conta) com auxílio de perguntas do outro sobre o lugar (onde), os acontecimentos (o que) e pessoas (quem). Fase chamada de protonarrativa, ou seja, a criança ainda não consegue elaborar textos que possam ser adequadamente classificados como narrativas, ela depende da intervenção das perguntas do adulto que a colocam numa situação de complementaridade e é respondendo àquelas perguntas que ela inicia os primeiros passos para a construção de narrativas. Exemplo:

  • “Onde você foi?”
  • “na icóla” (na escola);
  • “O que você fez lá?”
  • “binco” (brinquei);
  • “E o que mais?”
  • “comeu e mimi” (comi e dormi).

Funções comunicativas
– Faz uso da linguagem falada para pedir, informar, perguntar, interagir.

Habilidades conversacionais
– Iniciam-se as habilidades conversacionais, estabelecendo diálogo com as pessoas sobre contextos conhecidos, concretos e que ocorrem no presente;
– Inicia, mantém uma conversa curta, mas não por muitos turnos, logo se dispersa e não se atem ao tópico da conversação.

Subindo o degrau

Controle motor
– A partir de 2 anos,  a criança é capaz de mover os dedos das mãos com maior precisão. Ele pega melhor lápis, giz de cera, escovar os dentes e até tenta usar tesouras.
–  Ela passa a correr, subir nos móveis, subir degraus e consegue andar de triciclo.

Habilidade com os dedos